Fotos, título e descrição: o básico do catálogo que muita loja pula

Todo mundo quer tráfego. Pouca gente quer sentar e reescrever a ficha do produto que está vendendo há dois anos com a mesma foto escura tirada no balcão. Eu fui essa pessoa. Gastei em anúncio, gente clicava, e não comprava — porque na página parecia amador e não dava para ver detalhe nenhum.

Catálogo não é "depois que a loja estiver no ar". É o que o cliente vê quando chega. Este texto é sobre o trio mínimo: foto, título, descrição. Sem pedir estúdio de R$ 3.000.

Foto: luz e verdade

Cliente online não toca no produto. A foto é o toque. Regras que funcionam com celular:

  • Luz natural perto da janela, produto de frente e de lado.
  • Fundo neutro — parede clara, papel craft, tecido liso. Bagunça de casa some.
  • Uma foto de escala: mão segurando, objeto ao lado de régua ou moeda (quando fizer sentido).
  • Mínimo três ângulos para itens onde textura importa.

Evite flash direto, filtro exagerado e foto baixada do fabricante se todo concorrente usa a mesma — você some na comparação. Para artesanato, imperfeição honesta vende mais que imagem de banco de imagens.

Tamanho de arquivo: comprima sem ficar borrado. Plataforma lenta afasta tanto quanto foto ruim. Ferramentas gratuitas resolvem; não precisa Photoshop.

Título: o que a pessoa busca

Título bom responde: o que é, para quem ou qual variante, e diferencial se couber curto. Exemplos fracos e fortes:

  • Fraco: "Bolsa nova" — Melhor: "Bolsa tiracolo couro sintético marrom 24 cm"
  • Fraco: "Kit presente" — Melhor: "Kit chá relaxante: 3 blends + infusor inox"

Não encha de palavra-chave repetida ("bolsa bolsa feminina barata promoção"). Soa spam e plataforma de busca pode ignorar. Pense no que alguém digitaria no Google ou na busca da sua loja.

Variações (cor, tamanho) devem aparecer no seletor do produto, não em dez fichas separadas com título quase igual — a menos que cada variante seja realmente um SKU distinto com estoque próprio.

Descrição: escaneável, não romance vazio

Ninguém lê parede de texto no celular. Estrutura que funciona:

  1. Primeiro parágrafo: o que é e para quem serve em duas frases.
  2. Bullets com medidas, material, o que vem na caixa.
  3. Cuidados, prazo de produção (se sob encomenda), política de troca resumida.

Se o produto tem história — artesanal, feito à mão — conte em um parágrafo curto depois dos fatos. Emoção sem especificação gera devolução.

Revise ortografia. Erro bobo em "garantia" ou "dimensões" quebra confiança mais do que imagina.

Quantos produtos publicar no início

Menos produtos bem feitos batem mais produtos capados. Se você tem trinta referências mas só dez com foto decente, abra com dez. Completar catálogo com ficha genérica dilui a loja inteira.

Quando adicionar item novo, copie o padrão da ficha que mais vende: mesma quantidade de foto, mesmo estilo de título, mesma estrutura de descrição.

Revisão antes de anunciar

Abra cada página no celular. Dá para ler sem zoom? Dá para ver o produto? O preço está claro? Link de frete ou prazo aparece? Peça para alguém que não conhece o produto dizer, só pela ficha, o que está comprando. Se a pessoa hesitar, a ficha falhou.

Catálogo bom não é o que mais brilha — é o que menos gera dúvida.

Depois do catálogo

Com fichas redondas, aí sim vale olhar plataforma e checkout. Tráfego em cima de produto mal explicado vira clique caro e carrinho vazio. Conserte a vitrine antes de gritar na rua.